Marcelo Paz entra em 'briga' contra dirigente do Palmeiras por gramado sintético
Dirigente do Corinthians causou polêmica por declaração após vitória contra o Athletico-PR
O Sport Club Corinthians Paulista passou a integrar uma das discussões mais acaloradas do futebol brasileiro nos últimos anos: o uso de gramados sintéticos nas principais arenas do país. Desde 2025, o tema ganhou ainda mais força entre dirigentes, atletas e especialistas, dividindo opiniões sobre desempenho esportivo, segurança física e padronização dos campos.
Diversos clubes se posicionaram de maneira crítica em relação ao piso artificial, argumentando que o material pode aumentar o risco de lesões musculares e articulares, além de alterar a dinâmica do jogo. A principal queixa gira em torno do impacto físico sofrido pelos atletas e das diferenças de comportamento da bola em comparação ao gramado natural.
Dentro desse contexto, Marcelo Paz, atual diretor executivo de futebol do Corinthians, manifestou-se de forma clara contra a utilização de campos sintéticos no Brasil. O dirigente defendeu que o ideal seria priorizar superfícies naturais ou híbridas, como ocorre na Neo Química Arena, estádio do clube paulista, que adota tecnologia combinando grama natural com fibras artificiais para reforço estrutural.
A declaração, no entanto, não foi bem recebida por todos. O Sociedade Esportiva Palmeiras, principal rival do Corinthians, utiliza gramado sintético no Allianz Parque. A escolha se deve, em grande parte, ao intenso calendário de eventos e shows realizados no estádio, o que inviabilizaria a manutenção de um campo natural em boas condições ao longo de toda a temporada.
A resposta veio por meio de Anderson Barros, dirigente do Palmeiras, que rebateu as críticas de Marcelo Paz. Ele questionou a coerência do executivo corintiano, lembrando que, até o ano passado, Paz atuava como CEO da SAF do Fortaleza Esporte Clube, que manda suas partidas na Arena Castelão. Segundo Barros, o estádio cearense já foi alvo de críticas pela qualidade do gramado, o que tornaria o posicionamento atual contraditório.
Em sua fala, o dirigente palmeirense afirmou que o debate não deveria ser tratado de forma seletiva ou “hipócrita”, mas sim focado na melhoria da qualidade dos campos, independentemente do tipo de grama adotado. Para ele, o essencial é garantir boas condições de jogo e segurança aos atletas, seja em superfície natural, híbrida ou sintética.
A discussão revela um dilema moderno do futebol brasileiro. De um lado, clubes que priorizam performance e alegam maior risco de lesões no sintético; de outro, gestores que precisam lidar com arenas multiuso, onde o futebol divide espaço com grandes eventos culturais. A busca por equilíbrio entre viabilidade econômica e excelência esportiva tornou-se central nesse embate.
Enquanto o debate segue nos bastidores, o Corinthians mantém o foco dentro de campo. A equipe vem embalada por vitória recente no Campeonato Brasileiro e agora concentra forças para enfrentar a Portuguesa pelo Paulistão, em duelo decisivo que vale vaga nas semifinais da competição estadual.
Assim, entre polêmicas administrativas e desafios esportivos, o clube paulista tenta manter o equilíbrio. O tema dos gramados sintéticos promete continuar em pauta, especialmente em um cenário em que infraestrutura, calendário e saúde dos atletas se cruzam de forma cada vez mais intensa no futebol nacional.