O fato curioso que envolve a Neo Química Arena e o Corinthians
É esse o fato curioso envolvendo o Timão e o seu estádio
A principal razão para o Corinthians não lucrar diretamente com o estacionamento é o modelo de contrato assinado na gestão de Andrés Sanchez, em 2018.
O clube recebeu um pagamento integral no início do acordo, no valor de R$ 11,4 milhões. Deste montante, R$ 2,5 milhões foram destinados à Omni, empresa que gerenciava o estacionamento na época, e o restante, R$ 8,4 milhões, foi repassado à Neo Química Arena em duas parcelas, quitadas em maio e junho de 2018.
Além disso, o contrato previa que a Indigo teria isenção de aluguel, desde que o faturamento líquido anual do estacionamento não ultrapassasse R$ 4,88 milhões, valor atualizado anualmente. Caso esse faturamento fosse superado, a empresa deveria repassar 71% do excedente ao clube.
No entanto, se o faturamento ficasse abaixo desse valor, a diferença seria adicionada à meta do ano seguinte. Isso explica por que, na prática, o Corinthians não recebe valores adicionais pelo uso do estacionamento.
Renovação de contrato gera divergências
Outro ponto polêmico envolve a suposta renovação do contrato com a Indigo na reta final da gestão de Duilio Monteiro Alves. Segundo Augusto Melo, o contrato teria sido estendido até 2030 sem a anuência da nova diretoria.
"Teve muitos contratos que foram feitos aditivos e renovados depois que eu ganhei a eleição, na véspera. Depois que eu ganhei a eleição também. No dia 28, 27, 29 de dezembro (de 2023), sem a gente saber, sem a gente ser comunicado."
Porém, a Central do Timão teve acesso a trocas de e-mails entre membros da diretoria do Corinthians e a Ernst & Young (E&Y), consultoria contratada para auditar contratos do clube. Segundo os documentos, o contrato com a Indigo segue válido até 2028, e não houve renovação.
Diante das acusações, Duilio Monteiro Alves negou qualquer alteração contratual e cobrou transparência da gestão de Augusto Melo.
"Não houve nenhuma alteração após a assinatura. Seguimos aguardando que Augusto Melo apresente publicamente o relatório com o resultado da investigação."
Em 2024, o contrato da Indigo foi analisado pela Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo do Corinthians. Durante reunião em 1º de fevereiro, foi solicitado que contratos firmados no fim da gestão de Duilio Monteiro Alves fossem investigados, incluindo o do estacionamento.
Porém, em novo encontro realizado em 27 de maio de 2024, nenhuma irregularidade foi encontrada no contrato com a Indigo. Curiosamente, Augusto Melo estava presente nas reuniões e acompanhou todo o processo.
Além disso, o relatório final da auditoria da Ernst & Young, que poderia esclarecer o caso, ainda não foi divulgado pelo Corinthians. A consultoria afirma que entregou o documento, mas o clube alega que nunca o recebeu.
O contrato entre Corinthians e Indigo tem validade de dez anos (2018-2028), com possibilidade de renovação automática caso a empresa não recupere todo o investimento feito. Além disso:
- O acordo não permite rescisão por justa causa antes do prazo.
- Caso o Corinthians opte pela rescisão antecipada, deverá pagar uma multa de R$ 12,6 milhões, conforme cálculo feito pela Ernst & Young em março de 2024.
- A Indigo tem o direito de reajustar as tarifas anualmente, com aumento mínimo de 10%.
Em meio à polêmica, a Indigo anunciou aumento nos preços do estacionamento da Neo Química Arena. A partir desta quinta-feira, os novos valores são:
- E2 e E3: R$ 170 (aumento de 21%)
- E4 e E5: R$ 140 (aumento de 27%)
- Vans: R$ 250
- Ônibus: R$ 480
Membros do Fiel Torcedor continuam tendo desconto nos valores. O último reajuste havia sido feito em 2023.
O contrato do estacionamento da Neo Química Arena se tornou mais um ponto de divergência na gestão do Corinthians. Enquanto Augusto Melo critica os termos do acordo e questiona uma suposta renovação, documentos mostram que o contrato segue válido até 2028 e que o clube aceitou a isenção de aluguel no momento da assinatura.
A falta de transparência sobre o relatório da Ernst & Young e a possibilidade de rescisão milionária tornam o caso ainda mais complexo. Enquanto isso, torcedores seguem sendo impactados pelo aumento das tarifas do estacionamento da arena.
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