A utilização de Neymar pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo continua provocando discussões após a eliminação da equipe. Rogério Micale, técnico responsável pela conquista da inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, afirmou que o atacante deveria ter recebido mais oportunidades durante o torneio.

Atualmente no comando do Londrina, Micale comparou a situação do brasileiro com o tratamento dado a Lionel Messi pela Argentina e a Cristiano Ronaldo por Portugal. Para o treinador, jogadores desse nível precisam ser aproveitados por sua qualidade técnica, experiência e capacidade de decidir partidas, ainda que não estejam em suas melhores condições físicas.

Na avaliação de Micale, o Brasil poderia ter encontrado uma função mais adequada para Neymar dentro da equipe. Em vez de exigir que o camisa 10 participasse de todas as ações defensivas ou mantivesse alta intensidade durante os 90 minutos, a comissão técnica poderia ter administrado sua presença em campo e utilizado o atacante nos momentos decisivos.

A declaração ganhou força porque Micale conhece Neymar de perto. Os dois trabalharam juntos na campanha olímpica de 2016, quando o atacante marcou o pênalti que garantiu ao Brasil o primeiro ouro de sua história no futebol masculino. Naquela competição, Neymar foi o principal líder técnico e emocional da equipe.

O treinador entende que jogadores especiais exigem planos específicos. Mesmo sem a explosão física de outros momentos da carreira, Neymar continua sendo capaz de executar passes, cobranças de falta e jogadas individuais que poucos atletas conseguem realizar.

Messi e Cristiano Ronaldo receberam funções adaptadas no Mundial

A comparação feita por Rogério Micale está relacionada ao tratamento oferecido a Messi e Cristiano Ronaldo por suas respectivas seleções. Os dois veteranos tiveram suas funções adaptadas para que pudessem contribuir sem a obrigação de acompanhar o mesmo ritmo dos jogadores mais jovens.

Messi recebeu liberdade para circular pelo campo, encontrar espaços e concentrar sua energia na criação das jogadas argentinas. O restante da equipe trabalhou para equilibrar o sistema e permitir que o capitão estivesse mais próximo da área adversária.

Cristiano Ronaldo também foi utilizado de acordo com suas características atuais, principalmente como referência ofensiva e finalizador. Para Micale, o Brasil poderia ter adotado uma estratégia semelhante com Neymar, colocando jogadores intensos ao seu redor e preservando o craque para os momentos de maior importância.

Neymar ainda poderia oferecer soluções ao ataque brasileiro

A discussão não envolve apenas a quantidade de minutos disputados pelo atacante, mas também a forma como ele foi utilizado. Neymar não possui mais a mesma velocidade apresentada no início de sua carreira, porém mantém visão de jogo, controle de bola e capacidade de produzir uma jogada decisiva.

Em partidas equilibradas, nas quais o Brasil encontrou dificuldades para superar defesas fechadas, sua criatividade poderia ter representado uma alternativa importante. Um passe entre as linhas, uma falta próxima da área ou uma finalização individual poderia mudar o rumo de um confronto eliminatório.

Por outro lado, a condição física e o histórico recente de lesões também precisavam ser considerados pela comissão técnica. O desafio era encontrar um equilíbrio entre proteger o jogador e aproveitar sua experiência.

A opinião de Micale reabre uma pergunta que continuará acompanhando a Seleção Brasileira: Neymar deveria ter jogado mais ou a comissão técnica acertou ao limitar sua participação? Para o campeão olímpico, o Brasil deixou de aproveitar um talento que ainda poderia ter oferecido muito mais durante a Copa do Mundo.