Duílio vira réu após Justiça aceitar denúncia que envolve diretamente o Corinthians

Ex-presidente do Corinthians vem sendo citado em diversas polêmicas durante seu mandato no clube

Duilio Monteiro Alves presidiu o Corinthians entre 2021 e 2023 — Foto: Marcos Ribolli
Duilio Monteiro Alves presidiu o Corinthians entre 2021 e 2023 — Foto: Marcos Ribolli
Foto de Leandro Correira da Silva
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O ex-presidente do Sport Club Corinthians Paulista, Duilio Monteiro Alves, passou a responder formalmente a um processo na Justiça após a aceitação de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. A acusação envolve o crime de apropriação indébita, que ocorre quando alguém utiliza recursos que pertencem a outra instituição ou pessoa como se fossem próprios. A informação foi divulgada inicialmente pelo Globo Esporte.

De acordo com a investigação conduzida pelo promotor Cássio Conserino, o ex-dirigente teria utilizado o cartão corporativo do clube para pagar despesas que não teriam relação direta com as atividades institucionais do Corinthians. O período investigado corresponde aos anos em que Duilio esteve à frente da presidência do clube, entre 2021 e 2023. Segundo o Ministério Público, as movimentações financeiras indicam gastos considerados incompatíveis com as necessidades administrativas da entidade esportiva.

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Entre as despesas mencionadas na denúncia estariam compras realizadas em freeshops, contas em restaurantes, hospedagens em hotéis, serviços de salão de cabeleireiro, aquisições em loja náutica e até compras feitas em um site de roupas. Para o promotor responsável pelo caso, esse conjunto de pagamentos levanta suspeitas sobre o uso indevido de recursos que pertenciam ao clube. A acusação sustenta que tais gastos não poderiam ser classificados como despesas institucionais ou relacionadas às atividades do Corinthians.

Os valores questionados pelo Ministério Público também chamam atenção. Conforme apontado na investigação, a fatura considerada irregular teria alcançado o montante de R$ 41.822,62, já corrigido pela inflação para evitar divergências sobre atualização monetária. Em um contexto em que o clube convive há anos com dificuldades financeiras e elevado nível de endividamento, esse tipo de despesa ganha ainda mais relevância dentro da análise do caso.

Além da responsabilização criminal, o promotor solicita que o ex-presidente devolva integralmente o valor considerado indevidamente utilizado. Também foi pedido o pagamento de uma indenização adicional por danos materiais ao Corinthians, estimada em R$ 31.366,96. A intenção do Ministério Público é que o clube seja ressarcido pelos prejuízos financeiros apontados na denúncia.

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A acusação foi aceita pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, responsável pela 15ª Vara Criminal de São Paulo. Com a decisão da magistrada, foi oficialmente aberta a ação penal contra Duilio Monteiro Alves. Entretanto, nem todos os pedidos apresentados pelo Ministério Público foram acolhidos neste momento. A juíza optou por não determinar medidas cautelares mais rígidas, como o bloqueio de bens do ex-dirigente ou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

O processo também envolve outro nome ligado à antiga gestão do clube. O ex-gerente financeiro do Corinthians, Roberto Gavioli, também passou a figurar como réu na ação. Segundo a denúncia, ele teria participado ou tido algum tipo de responsabilidade na gestão das despesas investigadas.

O caso tem semelhanças com outro episódio recente envolvendo um antigo dirigente corintiano. O ex-presidente Andrés Sanchez, que também foi antecessor e aliado político de Duilio, enfrentou questionamentos semelhantes relacionados ao uso de recursos do clube. Essa repetição de situações envolvendo diferentes administrações reforça críticas recorrentes sobre práticas de gestão dentro do futebol brasileiro.

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Com o recebimento da denúncia pela Justiça, inicia-se agora a fase processual propriamente dita. Duilio Monteiro Alves e os demais acusados serão formalmente notificados e terão um prazo de dez dias para apresentar suas defesas por meio de advogados. Esse período é previsto pela legislação para que os réus possam contestar as acusações, apresentar argumentos jurídicos e eventualmente questionar as provas reunidas pelo Ministério Público.

Após essa etapa inicial, o processo seguirá com a realização de audiências judiciais. Nelas, poderão ser colhidos depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos acusados e apresentação de documentos ou outras provas consideradas relevantes para esclarecer os fatos. É nesse momento que as diferentes versões apresentadas pelas partes passam a ser examinadas com maior profundidade.

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