Dorival Júnior desabafa e manda recado para diretoria após eliminação do Corinthians

Técnico alvinegro criticou a postura da diretoria em negociar o meio-campista André

Dorival Júnior, técnico do Corinthians. Foto: Rapha Marques/AGIF
Dorival Júnior, técnico do Corinthians. Foto: Rapha Marques/AGIF
Foto de Leandro Correira da Silva
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A eliminação do Corinthians para o Novorizontino, na semifinal do Campeonato Paulista, na noite de sábado, acabou ficando em segundo plano durante a entrevista coletiva concedida por Dorival Júnior. Embora tenha analisado o desempenho da equipe e reconhecido a frustração pela queda na competição, o treinador concentrou grande parte de sua fala em outro tema: a possível negociação do volante André com o AC Milan.

Visivelmente incomodado, Dorival demonstrou preocupação com o impacto que a saída do jovem poderia causar na estrutura do time. Para ele, mais do que uma simples transação financeira, trata-se de uma decisão que envolve planejamento esportivo e a consolidação de um projeto competitivo. O técnico deixou claro que já expôs seu posicionamento ao presidente do clube e reforçou que sua prioridade é a construção de uma equipe capaz de disputar títulos de forma consistente.

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Segundo o comandante, a instituição precisa definir qual rumo pretende seguir: se deseja fortalecer o elenco visando conquistas esportivas ou priorizar receitas imediatas com vendas. Ele destacou que aceitou o desafio de dirigir o Corinthians com o objetivo de montar um grupo sólido, competitivo e preparado para brigar pelas principais competições. Recomeçar o trabalho a cada janela de transferências, na visão do treinador, enfraquece o processo e compromete a evolução coletiva.

Dorival também ressaltou que o mercado enxerga valor no atleta justamente porque ele tem potencial ainda maior a ser desenvolvido. Para o técnico, o fato de André ter atuado em apenas oito ou nove partidas como profissional e já despertar interesse internacional indica que o clube poderia obter ganhos ainda mais significativos se aguardasse o momento adequado. Em sua avaliação, o Corinthians deve demonstrar firmeza e sinalizar que só negocia seus talentos quando considerar estratégico, e não apenas diante da primeira oferta atraente.

Ao abordar a possibilidade de reposição, o treinador foi direto: encontrar um substituto à altura em curto prazo é tarefa complexa. Ele questionou a viabilidade de vender um jogador promissor e, poucos dias depois, buscar alguém no mercado capaz de assumir a mesma responsabilidade. Dorival lembrou que André passou por um processo cuidadoso antes de se firmar na equipe principal. O atleta retornava de lesão séria, ainda pouco conhecido, e precisou de meses de preparação até estar pronto para ser lançado.

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De acordo com o técnico, o amadurecimento gradual foi essencial para que o volante ganhasse confiança e demonstrasse suas qualidades. O trabalho incluiu observação, treinamentos específicos e inserção progressiva no grupo principal. Quando finalmente foi utilizado com maior regularidade, o jogador começou a chamar atenção do público e dos olheiros internacionais. Para Dorival, esse desenvolvimento não pode ser interrompido prematuramente.

Ele defendeu que o jovem permaneça no clube tempo suficiente para consolidar seu crescimento técnico e emocional. Na visão do treinador, uma transferência precipitada para o futebol europeu pode resultar em dificuldades de adaptação e até em um eventual retorno ao Brasil sem o sucesso esperado. Por isso, acredita que o ideal seria primeiro colher frutos esportivos, fortalecer o elenco e, somente depois, transformar esse rendimento em lucro financeiro.

Ao longo da coletiva, Dorival manteve tom respeitoso, mas firme. Reafirmou que entende as demandas econômicas do futebol moderno, porém enfatizou que sua função é pensar no desempenho dentro de campo. Ele deixou claro que sua contribuição termina na avaliação técnica; decisões administrativas cabem à diretoria. Ainda assim, fez questão de registrar publicamente sua opinião.

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A declaração expôs uma tensão recorrente no futebol brasileiro: o equilíbrio entre sustentabilidade financeira e competitividade esportiva. Enquanto a diretoria analisa propostas e pondera cifras, o treinador busca estabilidade para trabalhar. A eliminação no estadual poderia ter sido o foco principal da noite, mas o debate sobre o futuro de André acabou simbolizando um desafio maior — definir qual identidade o Corinthians deseja assumir nas próximas temporadas.

Dessa forma, mais do que comentar uma derrota, Dorival Júnior aproveitou a ocasião para enviar um recado claro: a construção de um time vencedor exige paciência, convicção e proteção aos talentos formados ou lapidados no clube. Para ele, vender pode ser necessário, mas deve ocorrer no momento certo e dentro de uma estratégia que preserve o projeto esportivo.

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