Cuca abre o jogo e cita passagem no Corinthians ao comentar sobre caso de crime sexual

Técnico assumiu o cargo do Santos após demissão de Juan Pablo Vojvoda

Cuca ficou pouco tempo no Corinthians. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Cuca ficou pouco tempo no Corinthians. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Foto de Leandro Correira da Silva
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Durante sua apresentação oficial no Santos, realizada na sexta-feira (20), o técnico Cuca abordou temas que vão além do futebol. Entre eles, relembrou sua rápida passagem pelo Corinthians em abril de 2023, além de voltar a comentar sobre o caso de crime sexual ocorrido na década de 1980, episódio que frequentemente ressurge em momentos de maior visibilidade de sua carreira. Em entrevista coletiva, ele afirmou que, à época dos fatos, não tinha conhecimento sobre detalhes do processo judicial, mencionando inclusive que não houve acompanhamento jurídico adequado. Segundo o treinador, esse assunto já foi discutido diversas vezes ao longo dos anos, mas ganhou proporções muito maiores recentemente.

Ele destacou que, ao assumir o Corinthians, foi surpreendido por uma intensa repercussão negativa, o que o levou a buscar apoio familiar. De acordo com Cuca, ele reuniu sua esposa e filhas para discutir a situação e decidir como lidariam com as consequências. Esse momento, segundo ele, foi fundamental para que pudesse compreender melhor a dimensão do caso e seus impactos na vida pessoal e profissional.

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Repercussão do caso e impacto das redes sociais

O treinador também comentou sobre como o episódio, que permaneceu relativamente pouco discutido por décadas, voltou ao centro das atenções nos últimos anos, especialmente com o crescimento das redes sociais. Esse novo cenário ampliou o debate público e trouxe questionamentos mais frequentes sempre que ele assume um novo clube. Em 2023, essa pressão foi determinante para sua saída precoce do Corinthians, poucos dias após sua contratação.

Cuca afirmou que buscou entender melhor a situação ouvindo diferentes pessoas, especialmente mulheres, que questionavam qual seria sua postura diante de um tema tão delicado. Ele relatou que essas conversas foram importantes para refletir sobre sua responsabilidade e o papel que poderia desempenhar na conscientização social. Ainda assim, ressaltou que não costuma divulgar suas ações publicamente, justificando que não utiliza redes sociais e prefere agir de maneira discreta.

Ações atuais e conscientização

Atualmente, o técnico afirma estar engajado em iniciativas educativas voltadas à prevenção da violência contra mulheres. Entre as ações mencionadas, estão palestras e encontros com clubes e categorias de base, nos quais o tema é discutido de forma aberta. Ele citou experiências realizadas com equipes e jovens atletas, incluindo a participação de grupos femininos, com o objetivo de promover diálogo e aprendizado.

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Segundo Cuca, essas atividades são uma forma de contribuir para a formação de uma nova mentalidade dentro do esporte e da sociedade. Ele enfatizou a importância da educação como ferramenta para reduzir casos de violência, destacando que não se deve esperar que situações graves aconteçam para então agir. Em sua visão, iniciativas preventivas e debates constantes são essenciais para enfrentar o problema.

O treinador também mencionou que tem mulheres em sua própria família e que isso reforça sua preocupação com o tema. Para ele, a luta contra crimes como o feminicídio deve ser coletiva e contínua, envolvendo não apenas o meio esportivo, mas toda a sociedade.

Contexto judicial e desdobramentos do caso

O episódio em questão ocorreu na Suíça, em 1987, quando Cuca e outros três jogadores brasileiros foram acusados de envolvimento em um caso de abuso sexual coletivo contra uma adolescente de 13 anos. Na época, houve condenação dos atletas. No entanto, muitos anos depois, o processo passou por revisões judiciais.

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No início de 2025, a sentença foi anulada de forma definitiva após a Justiça suíça aceitar argumentos apresentados pela defesa do treinador. Apesar disso, a decisão não declarou sua inocência, apenas invalidou a condenação anterior por questões processuais. Esse detalhe mantém o caso como um tema sensível e sujeito a diferentes interpretações públicas.

Outro ponto relevante é que a vítima faleceu em 2002, aos 28 anos. Durante o processo mais recente, as autoridades suíças chegaram a identificar um herdeiro legal, que optou por não dar continuidade à ação. Com isso, não houve novos desdobramentos judiciais.

Em síntese, embora atualmente não exista processo criminal em andamento contra Cuca, o histórico do caso e sua repercussão continuam influenciando a percepção pública sobre o treinador, especialmente em momentos de destaque em sua carreira profissional.

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